"O mais difícil de um Ironman, não é cruzar a linha de chegada, é chegar na linha de largada".

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

IRONMAN Fortaleza sob a minha visão.

   
     Começar falando sobre como foi o IRONMAN Fortaleza, é preciso falar como foi o PRÉ-IRONMAN Fortaleza... As redes sociais entupidas de relatos "terroristas". Natação contra a maré, com ondas de 8 metros, tubarões (vindos de Recife, suponho), ciclismo com tufões, onde roda fechada só para loucos, insanos. Uma corrida no sol mais quente que a larva de um vulcão.

     Eu, na minha mais pura humildade só fazia rir daquilo tudo, imaginando que seria bom se fosse assim. Quer um IRONMAN menos duro? procura um lugar com clima entre 20 a 23C, natação com roupa de borracha e pedal e corrida planos e sem vento.

     Com a aproximação da prova, alguns começaram a desistir, anemias começaram a aparecer, dores musculares, gripes, e por aí vai.. Seria a desculpa ideal para não largar, ou simplesmente desculpas para caso sucumbissem no meio do caminho. Que pena um esporte tão prazeroso, cheio de superação envolvida ainda conta com pessoas assim (claro que aqui só se encaixa poucos atletas, pode ocorrer realmente problemas como mencionados, limitações que impeçam a realização da prova). Amigos, Ironman é isso. Uma prova com 226km de distância, deve ser encarada com respeito e humildade, e os imprevistos irão acontecer.

     Antes da prova, minha nutricionista, Tatiana Vasconcelos, me recomendou a leitura de um texto que eu achei fantástico (http://www.institutokellystefani.com.br/index.php/cinco-desafios-psicologicos-na-provas-de-ironman/), onde dizia exatamente que deveríamos controlar nosso psicológico, nossas ansiedades e tomada de decisão. Isto é o Ironman, n variáveis podem ocorrer durante a prova e em vez de desistir e simplesmente se conformar com uma desculpa, é necessário pensar nas variáveis, analisar e tomar as melhores decisões. Seja diminuir ou aumentar um pace, comer um clube social ao invés de um gel, enfim. Isso, é Ironman, um desafio psicológico durante um dia inteiro, durante 226km. Lembre-se que para chegar ali, passamos por meses de treinamento.

     O clima da prova é diferenciado. Este foi meu primeiro IRONMAN, porém já havia feito 3x 70.3 da franquia. Estes eventos causam um envolvimento muito bom do público atleta e dos acompanhantes. Já para entrar no clima da prova, algo que não temos em eventos regionais. Isso por sí só já causa em você uma motivação a mais, a adrenalina sobe.

     A organização foi quase que impecável, faltou água em um posto de ciclismo mas logo foi reposta. Faltou gelo em um posto de corrida mas também foi rapidamente reposta. Foi o primeiro IRONMAN na capital Cearense, ainda há um longo caminho para se consolidar. Mesmo assim, foi bom, foi muito bom.

     O mar se mostrou revolto e a navegação complicada. Água bem turva. Nivelou os atletas bem por cima. Logo as 5h da manhã já estava claro, bem claro. Alguns atletas largaram um pouco a frente. Falha da organização que não posicionou os standups antes da linha de largada, não foi culpa dos atletas que lá estavam enfileirados. Muita marola, volta contra a maré. 30 foram retirados do percurso pelos bombeiros por desistência, eu sobrevivi, mas sofri.

     No ciclismo houve alguns cortes de bloqueios por parte dos carros. Quem mora ou morou na capital sabe que o motorista cearense tem o estigma de "Cabra Macho". Ou seja, uma terra onde as pessoas atrás do volante fazem o que querem. Desde retornos proibidos, avanço de sinal vermelho e transitar pela contra mão. Infelizmente esse é um caso de educação. Como foi o primeiro ano do evento em Fortaleza, esperamos que próximo ano o habitante local já comece a se acostumar com o evento e respeitar mais os atletas. Com relação ao vento, teve vento contra na ida das voltas, o que diminuía bastante a velocidade, porém o retorno era amassando os pedais com o vento empurrando. E não houve nenhum relato de tornado nas intermediações...

     Na corrida tivemos um caso de assalto a um atleta, levaram tênis e relógio. Depois do ocorrido a segurança foi reforçada. Na orla existiu muita motivação, eram 3 voltas de muita gente na rua incentivando. Alguns pedestres atravessavam a faixa como se nada tivesse acontecendo, mas na maioria dos casos foi de grande incentivo. De uma Maratona inteira, apenas alguns kms você a fazia sozinha, isso foi sensacional!

     Jamais em uma prova da marca vi STAFFs tão empenhados para manter a motivação dos atletas. Banho de água gelada, gelo nas costas, nos shorts, palavras de incentivo, Se alguém mereceu medalha além dos guerreiros que completaram a prova, foram os staffs, todos eles.

     A área VIP dos atletas que completaram a prova estava digno de Marina Park Hotel. Um buffet com garçons servindo. Não havia aquele chão molhado e com comida espalhada como eu já vi muito. A área médica com vários plantonistas, além dos fisioterapeutas disponíveis. Uma manta para aquecimento também foi providenciada para cada atleta. Foi TOP.

     Reclamações pós provas são normais e construtivas, porém gostaria de ressaltar que uma prova desta não se consolida na sua primeira edição. Peço que não tentem comparar com Floripa, uma prova que já está nos calendários do triathlon a vários anos.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

IRONMAN Fortaleza, o vento como um aliado...

   

     Pelo menos na corrida!!

     Este final de semana tive a oportunidade de fazer um treino de corrida no percurso da prova. Não em sua totalidade, mas pelo menos em 80% do percurso oficial. Senti que será uma corrida bem complicada devido ao calor, porém teremos alguns pontos de sombra devido aos altos prédios que compõem a orla de Fortaleza.

     Uma excelente "sacada" da direção da prova foi colocar um ponto da corrida em um espigão adentrando o mar. Naquele momento uma brisa lateral te dá vida e fôlego. O percurso em si é bem ventilado e acredito que isso tornará o calor bem mais "agradável".

     Uma das reclamações de provas de ironman, como unanimidade, é ter uma corrida mais isolada, longe do calor humano em locais muitas vezes escuros. Pois bem, isso não ocorrerá em Fortaleza. A maior parte do percurso se dá na orla, onde há um concentração de pessoas grande. São vendedores, turistas e locais passeando, correndo, andando de patins, bicicletas, ou simplesmente curtindo uma praia, tomando uma água de coco, batendo um racha (futebol).

     Na orla também existem diversos barezinhos e restaurantes que acomodam diariamente centenas de pessoas. Apenas não se descuidem, pois também há um grande índice de assaltos nos domingos. Devido a praia ser pública, todos os bairros da cidade descem para curtir a mesma ou simplesmente tumultuar-la.

     A parte entre o final da praia de Iracema e o Marina Park Hotel (km 13, 14) é o momento onde teremos um pouco de solidão, porém são poucos kms. Serão 3 voltas de 14kms com passagem próximo ao pórtico de chegada. Pessoalmente isso não me agrada, pois causa uma sensação errada de que estamos chegando, quando na verdade estamos apenas dando mais uma volta.

     De todo modo, gostei do que vi, teremos uma corrida com muito calor humano e com uma brisa que irá refrescar no momento certo.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Um pouco mais do Ironman 70.3 Cozumel

   
     No último dia 21 foi disputado o Ironman 70.3 Cozumel, no México. O 70.3 mais difícil que enfrentei em 2 anos de triathlon.

     A Natação: Uma natação impossível de prever, pois as correntes daquele local mudam constantemente. Resultado, uma ida a favor da corrente e a volta contra ela. Correntes estas que misturam inclusive águas mornas com águas geladas.

     O Ciclismo: Como previsto, circuito plano, quente e com muito vento. A primeira perna do percurso é a mais lenta, onde enfrentamos um vento contra e lateral com fortes rajadas. Organização impecável, com muitos pontos de água e Gatorade distribuídos pelo percurso. Asfalto sem buracos porém áspero. Durante a prova vi muitos furarem o pneu e muitas caramanholas perdidas pelo caminho. A segunda perna do percurso é a favor do vento e em asfalto liso. Ali se alcança velocidades superiores a 45km/h com constância. Foi o ponto forte do pedal. Chegando na cidade há uma diminuição considerável da velocidade. Mesmo assim consegui cravar meu melhor pedal em 70.3.

     A Corrida: Quente como o inferno. Sensação Térmica de 39oC, umidade do ar acima de 90%. Aqui precisamos nos hidratar e usar muito protetor solar. O sol não perdoa! Senti muito o calor na corrida. Um aviso de como será difícil a mesma no Ironman Fortaleza.

     Uma prova difícil que deve ser valorizada. Mesmo com todas as adversidades, o clima da cidade é perfeito. Uma cidade que se "veste de ironman". As pessoas vão para rua festejar. Há muitos que abrem as portas de casa, encostam as cadeiras na calçada, ligam seus aparelhos de som e fazem ali mesmo sua festa particular, com convidados especiais, o corredores.

     É nesse clima que nos motivamos e nos agarramos para seguir em frente. Uma prova que considero um dia voltar.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Desmontando a bike para o MalaBike (Case rígida)

     Sempre que passo por algum sufoco, gosto de passar aqui para dizer como foi minha experiência e como eu resolvi o problema. O mundo do triathlon é conhecido por poucas informações simplesmente porque quem as têm, não repassa. Como estou nessa apenas para manter a forma, fazer amigos e viajar, não tenho problema nenhum em expor minhas experiências.

     Amanhã viajarei para Cozumel, México, onde dia 21 (Domingo) estarei participando da prova de Ironman 70.3 da Ilha conhecida com o seguinte slogan: "Isla Cozumelheaven on earth (Ilha de Cozumel, paraíso sob a terra)". Sendo assim, assumi a responsabilidade de desmontar a bike empacotar no mala bike. Quando morava em Fortaleza, delegava este serviço para empresas especializadas, mas como acredito que todo triatleta também deva ser mecânico, peguei a responsabilidade.

     Para não perder as medidas do Bike Fit, é preciso se preocupar com duas coisas:
           1. Um adesivo no canote do selim para marcar a altura;
           2. Tirar toda a frente, sem mexer nos clips e pads.

     Essas duas peças são fáceis de tirar, use as chaves ALLEN apropriadas e desmonte-as. O Canote pode ficar difícil de ser tirado, peque um martelo e dê umas batidinhas no selim de baixo para cima, apoiado com uma toalha para não danificar o mesmo.

     A frente ao ser tirada, não há necessidade de desmontar nenhum cabo, quando você deitar a bike no mala bike, deixe a frente na posição horizontal.

     A versão final e traumática, os pedais. Os pedais em si sempre são problemáticos pois eles são usados com muita frequência e, o próprio giro do pedivela faz com que eles fiquem bem apertados. Pois bem, aqui vai a manha para que não se cometa o mesmo erro que eu (Apertar, em vez de afrouxar):
          1. Olhando para a bike do lado direito, o pedal do lado direito afrouxa para o lado ESQUERDO, use uma  chave de boca 15mm que não tem errada, se estiver muito apertada, bata com o martelo na chave de boca, na direção da rotação correta;
          2. Olhando para a bike pelo lado esquerdo, o pedal esquerdo afrouxa para o lado DIREITO.

     Se você resolver utilizar uma chave ALLEN para tirar os pedais, coisa que eu não recomendo, utilize a mesma forma de pensar como explicado acima, lembre-se que o pedal inteiro gira junto, a rosca é no pedivela, e não no esquema "Porca-parafuso".

     Para finalizar, utilize uma chave ALLEN e retire o câmbio traseiro, desparafusando-o da gancheira pelo lado de fora. Proteja o passador com plástico bolha e fixe no "triângulo" da bike para que não haja risco de deslocamento durante a viagem.

     Não há necessidade de retirar a corrente da bike, simplesmente enrole com plástico bolha e também fixe na própria bike. Proteja a frente para que esta não bata no quadro durante a viagem, podendo danificá-lo. Coloque uma espuma por cima da bike e acomode as rodas, semi-secas (Não há necessidade de secar toda), um ao lado da outra, com um plástico bolha também ao redor do cassete.

     O importante é não deixar nenhum componente solto nem fazendo pressão em outro. Feche o malabike e verifique se a mesma está fechando sem haver necessidade de forçar. Certifique-se disso e sua viagem ocorrerá sem sustos.

   

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro

     Neste ano tive a oportunidade de correr 4 meia-maratonas em 4 lugares diferentes, dentro do Brasil. Cada local tem sua particularidade e motivação. A cada desafio, um novo objetivo, uma nova experiência e a certeza que o "correr" para mim já faz parte do processo automático.

     Para cada corredor envolvido em uma corrida, é impossível julgar qualquer objetivo do mesmo, sem conhece-lo. Há os que estão ali pela primeira vez; os corredores de final de semana; os que estão acompanhando alguém; os que querem baixar o tempo; o que estão mais interessados em curtir o visual; e a demanda não para por aí.

     Particularmente esta Meia Maratona do Rio, que tive a oportunidade de completar, não é para tempo, não é para performance. A começar pelo número de pessoas que largam, não necessariamente, as pessoas que largam estão inscritos. Estima-se que mais de 20mil atletas se concentram na praia de São Conrado para correr a prova. Esta prova em especial tem transmissão da TV Globo, isso quer dizer que muitos ali estão mais interessados em aparecer na TV do que realmente correr. Muitos com fantasias, faixas e cartazes.

     Correr na Niemeyer - uma avenida que passa em frente ao Vidigal e é uma via apenas de duas mãos entre São Conrado e Ipanema - durante 4km com essa multidão não é fácil. Não há como ultrapassar os mais lentos e se você não estiver aquecido, poderá ter sérios problemas logo na subida.

     Chegando em Ipanema, as coisas começam a melhorar. A multidão de um lado e do outro começa a incentivar, fica feliz em poder estar acompanhando o evento. A via é mais larga e a presença do mar ali pertinho te dá uma condição de apreciar melhor a vista (A vista na Niemeyer é ainda mais bonita, porém é preciso estar focado nas pessoas que estão a sua frente para não ocorrer acidentes).

     Passando Ipanema, chegamos à Copacabana, o símbolo do Rio de Janeiro. Depois, pegamos dois túneis rumo ao Aterra do Flamengo, local da chegada. Aqui, em certo momento, me senti como no Challenge (que na TV há uma multidão que te aperta em um funil que só você consegue passar). Apesar do exagero, é aqui onde é a chegada, por isso tantas assessorias, tanta gente na rua te incentivando. Este momento é exatamente o km 16, mas eu disse que era a chegada... Sim, de fato, porém é do outro lado da via, um retorno de 5km ainda estava por vir. Aqui muita gente despreparada começa a sentir o cansaço, não só devido ao desgaste em si, mas a quebra psicológica em passar pela chegada faltando ainda 5km é tenso.

     A vista em toda a Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro é sem dúvidas ímpar, porém é uma prova que eu dificilmente correrei novamente, é uma prova para passear, apenas. Se seu objetivo é correr de boa, aproveitar a vista e curtir uma boa playlist, essa prova é ideal.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Correndo na Trilha

     Final de Semana passado, tive a oportunidade de participar de uma corrida na trilha, o Circuito Caixa Ecocross, na distância de 15km. Uma corrida com excelente organização, muito bem sinalizada e com corredores com outro tipo de espírito.

     A idéia de correr na trilha é deixar o corredor mais perto da natureza e variar o terreno. Pedras soltas, buracos, areia, subidas íngremes, terrenos diagonais, rios, vegetação fechada, single tracks, são algumas características deste tipo de prova. A sinalização aqui também precisa ser bastante clara, pois facilmente o corredor pode se perder.

     A concentração para correr em trilhas é absurda, nada pode escapar aos olhos do corredor, pois caso contrário é queda na certa. Uma das coisas que mais me chamou atenção foi correr sem se preocupar com o pace, na verdade se tivesse corrido sem o relógio seria melhor. É uma prova onde você não deve preocupar-se com pace, tempo nem frequência cardíaca. Simplesmente preocupe-se em escapar dos obstáculos. Na verdade não haverá tempo para preocupar-se com nenhuma variável que já estamos acostumados a mensurar, corra sentindo-se bem, aproveite para ler seu corpo e superar seus limites.

     Uma dica muito importante para este tipo de corrida é: Seja auto-suficiente. Há poucos pontos de distribuição de água e você estará mais preocupado em molhar a cabeça a realmente hidratar-se e alimentar-se. Parece bobagem, mas a dinâmica de correr na trilha é tamanha que não é difícil você esquecer que hidratação e suplementação é de fundamental importância durante a prática da corrida.

     Para nós, triatletas, muitas vezes caímos nos treinos monótonos, longos e nos mesmos locai, uma variada de terreno é suficiente para nos fazer achar a motivação que as vezes fica esquecida no modo automático. Além de que outros grupos musculares são também trabalhados durante a corrida na trilha.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Meia Maratona de Florianópolis - Um pouco mais sobre correr no frio

   

     Depois dos "mimimis" e reclames dos atletas amadores - como de costume. Sim, não existe atleta amador sem "mimimi" - irei falar um pouco mais sobre esta Meia Maratona de Florianópolis que tive oportunidade de conhecer.

     A vida me trouxe o esporte e o estilo de vida que ele proporciona. Hoje faço turismo esportivo, conheço novos lugares, novas pessoas. O esporte é rotina, qualidade e estilo de vida. Viajar apenas para fazer uma meia maratona parece ser exagero, mas não é. É possível curtir uma balada, comer em bons restaurantes e ainda curtir uma praia (infelizmente o sol não apareceu durante todo o final de semana na capital catarinense...).

     O clima em floripa estava agradável - frio para o cearense que vos escreve -, variando entre 17ºC e 19ºC. O sol não apareceu e o clima chuvoso prevaleceu. Na véspera foi dia de ir pegar o KIT e passear pela cidade. A expectativa pelo kit normalmente é boa, pois é o momento onde nos encontraremos com outros corredores, visualizamos as modernidades do mundo da corrida em exposições. Já da pra sentir o clima da corrida, porém os da O2 sempre me decepcionam. Na expo, apenas produtos O2 e nenhum showroom, case, brindes, NADA. Uma meia maratona desta expressão merece melhores patrocínios.

     Falando da prova, achei mal distribuído os pontos de água, não havia um padrão (Ex.: de 4 em 4km), o que dificulta um pouco a estratégia de cada um com a nutrição. Eu corri com meu próprio cinto de hidratação e não tive problemas, mas ouvi algumas reclamações.

     O percurso, ao contrário do que se pensa, possui alguns pontos de subida em momentos cruciais da prova. Um viaduto logo no começo exige o corpo estar aquecido. Este mesmo viaduto nos surpreende no final da prova, com uma "tesourinha" seguido de viaduto já nos últimos kms da prova, bem técnico. Fora isso, o restante é em sua grande maioria na orla, plano.

     O clima mais frio exige que o corredor saia preparado para suportar o clima. Ao contrário do que se pensa, o frio também castiga. Vento gelado no rosto atrapalha a respiração. Em determinados momentos porém o vento cessa e o corpo esquenta, nesses momentos procurava molhar a cabeça e corpo. O vento gelado na cabeça da uma reanimada, mas não pense que o desgaste é diferente.

     O frio pode causar uma falsa impressão de hidratação, ou seja, é tendencioso que o atleta consuma menos água, porém é ilusório. Faça a mesma estratégia de hidratação e nutrição que você está acostumado a fazer nos treinos. Simplesmente confie no seu treino e divirta-se na prova, a grande festa.
   

   

terça-feira, 27 de maio de 2014

Ironman 2014 - Sentimentos de um expectador

     O Ironman Brasil 2014, etapa 1, Florianópolis, foi realizado neste domingo. Foi um Ironman cheio de expectativas por minha parte. Muitos amigos participando, alguns pela primeira vez. Os Brasileiros da elite estavam forte e aguardava uma bela briga entre Igor Amorelli e Santiago Ascenço, foi o que ocorreu.

     Igor fechou em 1o lugar e Santiago ficou com o vice-campeonato. Assistir um Ironman que não é transmitido via internet é uma atividade de paciência e angústia. Apenas dois sites "transmitem" ao vivo através de vídeos e fotos esporádicas e, narração, que chegou a demorar mais de 20 minutos para atualizar. Mesmo assim, estes sites falam apenas dos profissionais, justo tendo em vista que são mais de 2 mil atletas.

     A melhor maneira de acompanhar seus amigos é através do Athlete Tracker - Uma ferramenta disponibilizada no site oficial Ironman.com com as parciais dos chips que os atletas utilizam. Pois este DEVERIA informar em tempo real as parciais dos atletas, de acordo com suas passagem pelos tapetes que captam o sinal do chip, marcando suas parciais e tempos. Isto funciona em TODO O MUNDO, menos aqui no Brasil. Acompanhar um amador sem as parciais do Athlete Tacker é praticamente impossível.

     Você precisa procurar no twitter, atualizar a página de informações, perturbar quem está lá fisicamente via telefone para que estes lhe deem alguma notícia do que está acontecendo. Vale também tentar acompanhar alguma postagem pelo facebook.

     Um destes sites de transmissão, disponibiliza ao vivo a chegada dos atletas, em tempo real durante um bom tempo. Foi importante, pois consegui ver vários amigos chegando e aquilo foi realmente emocionante. Porém a angústia de ter amigos correndo e nada de chegar é realmente complicado. Nada de chegar, nada do Athlete Tracker, nada a fazer.

     Esperamos que aqui no brasil as medições via chip tenham um padrão internacional, para que os expectadores que tentam acompanhar seus amigos, sejam informados de suas parciais em tempo real.

     Um fato triste foi o amigo Marcelo Cristino, que faleceu enquanto ASSISTIA ao evento. Teve um mal súbito. Tive oportunidade de conhecer este guerreiro. Ele respirava IRONMAN, era um ícone para todos nós do esporte. Sempre teve resultados expressivos e tinha grandes planos para o futuro. Estávamos combinando treinar juntos para o Ironman Fortaleza. Uma perda inestimável. Um pessoa que será sempre lembrada. A ficha ainda não caiu.

http://www.df.superesportes.com.br/app/19,66/2014/05/26/noticia_maisesportes,55412/triatleta-de-brasilia-tem-mal-subito-e-morre-durante-prova-do-ironman.shtml

sexta-feira, 11 de abril de 2014

O que esperar de um pós IRONMAN 70.3


     Passados quase uma semana do IRONMAN 70.3 Brasília, os triatletas começam a voltar à rotina de treinos. Os retratos ainda fazem lobby nas redes sociais e agora é hora de começar a preparação para outro desafio. Qual? O que você quiser.

     Alguns estão focados no IRONMAN de Florianópolis que acontecerá dia 25 de Maio, outros querem focar em corridas de meia maratona, outros apenas manter a forma para futuros objetivos. Quanto a mim, só resta esperar pelo 70.3 de Cozumel em Setembro e o Iron Fortaleza. Por sinal o 70.3 será um treino de luxo para Fortaleza, tendo em mente que o vento e calor são semelhantes(se não piores) que em Fortaleza. Até lá o de sempre, provas intermediárias de Triathlon local e Meia Maratonas pelo país.

     A preparação para Fortaleza ainda exige muito treinamento. A base já está formada, mas o volume de treinos provavelmente só comece de verdade em Julho. Até lá espero estar ainda mais forte e leve que hoje. Mais forte te garante uma musculatura mais consistente para suportar um dia inteiro de atividades. Mais leve te garante uma melhor corrida na parte final do Iron.

     Não é hora de desanimar. Na verdade, o efeito pós 70.3 para mim é totalmente inverso. Estou feliz pelo meu resultado e por isso mais animado para os treinos, mais animado para o próximo 70.3, mais animado para o Ironman Fortaleza. Quem está treinando para Florianópolis, é normal neste momento dar uma desanimada, afinal faltam apenas um mês e seus treinos são cada dia mais intensos. 

     Não é hora de se deixar abater, não podemos deixar nossa mente nos boicotar neste momento. "A mente precede todas as coisas, domina todas as coisas, cria todas as coisas" - Gautama Buda.

     Para quem fez o 70.3, é natural ter aquela "ressaca" pós prova, mas só você poderá dizer quais são os seus próximos objetivos e lutar por eles. Ninguém mais poderá priorizar e perserverar para suas próprias conquistas. Para os que estão focados no Iron Floripa, muita força que agora é a hora! Grande parte do treinamento já foi alcançado e, como eu disse antes, está faltando apenas um pouco mais de treinamento para então chegar à cereja do bolo.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Meio Ironman 70.3 Brasil 2014 - Falando um pouco do evento.

     O que dizer do IRONMAN 70.3 Brasil 2014? Muitos acontecimentos críticos que merecem atenção especial para as próximas edições.
   
     O evento ocorre no Pontão do Lago Sul, para quem não é de Brasília, o Pontão é um local fechado, com seguranças em todo o entorno, estacionamento particular e uma única entrada e saída, passando por cones e guarita de segurança. Estou dizendo isso, pois no dia anterior roubaram uma bike de uma atleta que deixou a bike dentro do carro e foi correr. Quem é de fora de Brasília pode achar que é um "vacilo" da pessoa, mas é uma prática comum deixar a bike no carro e ir correr no pontão, tendo em vista que lá é um local particular com muita segurança envolvida. O que chama atenção é que durante o evento a movimentação no pontão fica ainda maior, inclusive de seguranças.

     Passando por esta fase, vou falar da prova em si. Muitos furos de cone, pouca fiscalização de autoridades para impedir que carros entrassem no percurso do ciclismo, não só atrapalhando, mas fechando atletas podendo causar um maior dano. Em determinados pontos da prova, as pessoas precisaram ficar em frente aos carros para impedir que estes furassem o bloqueio. Na natação, uma metragem maior que 1.9km, como este dado não é oficial, baseado no garmin dos amigos, acredito que tenha tido pelo menos 200m a mais.

     Na corrida, nada demais ocorreu, tudo conforme o planejado. Após a competição, é comum que haja tenda de massagens e comida para os atletas. Normalmente esta fica instalada logo após o pórtico de chegada, de forma isolada das famílias e amigos dos atletas. Dito isso, acredito que este ano os organizadores quiseram instalar a parte de comidas junto a EXPO - Uma feirinha com vários stands para venda de produtos, manutenção de bikes, etc - para que os atletas pudessem ver seus familiares ali pertinho. A tenda de comida é um local "porco". Onde se reúnem atletas recém chegados de um desafio indiscritível, suados, cansados, sequelados. Pois bem, o que se vê neste local é: Muita água e comida no chão, atletas molhados de suor e água jogadas no corpo durante a corrida.

     Para ter acesso à área restrita, os atletas percorrem um pequeno corredor, que foi instalado ao lado do stand da oficina de bikes Kona. Alguns atletas comentaram no dia anterior, que esta tenda estava dando choque. Unido com o piso do local molhado - fato explicado no parágrafo anterior - um atleta encostou na tenda, e "apagou" grudado na grade. O desespero para tirar este atleta da grade foi tamanho que muitos pensaram que era uma briga, pois quem estava na parte de dentro precisou chuta-lo para que o mesmo desgrudasse da grade. Foram cerca de 15min tentando reanima-lo.  Informações de expectadores informaram que a resposta à massagem cardíaca era positiva, porém logo após o rapaz voltava a "apagar". Saiu no balão de oxigênio na ambulância, 15min depois para o hospital de Base. Não resistiu e veio a óbito.

     Esses acontecimentos não podem ser tratados como corriqueiros e a organização precisa tomar medidas rígidas para que esses fatos não aconteçam mais. São fatos críticos que merecem uma atenção diferenciada e individualizada por parte da Latin Sports.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Ironman 70.3 Brasília. Menos de uma semana!!!


     Parece que foi ontem. A menos de uma semana para o Ironman 70.3 Brasília, a ansiedade pré-prova já bate à porta de todos que irão participar do evento. Brasília é de longe uma excelente cidade para a prática esportiva. Existem diversos diferentes locais onde podemos diversificar nossos treinos. Há espaço para realização de treinos de centenas de kms, sem a necessidade de se arriscar em rodovias movimentadas. E é essa linda cidade que sediará no próximo domingo o primeiro IRONMAN 70.3 do ano no Brasil.

     Esse ano as espectativas estão maiores. Será o primeiro ano em que teremos 4 provas da franquia no Brasil, 2 nas distâncias totais e 2 com a metade. Brasília e Foz do Iguaçu sediarão os 70.3 (metade). Florianópolis e Fortaleza, a full (3.8km de Natação / 180km de Ciclismo / 42km de Corrida).

     Aqui estou para o meu segundo 70.3, no mesmo local, com o mesmo percurso, fisiologicamente e emocionalmente diferente. Mais magro, forte, experiente. O que não quer dizer muita coisa, pois em provas de longa distância podem acontecer imprevistos e acabar com todo o seu planejamento.

     Quando você realiza algo que nunca fez, tudo é novidade. Ou seja, você nem ninguém espera nada daquilo. "O que vier é lucro". Porém quando você já passou por isso, você é a pessoa que mais irá cobrar-se. Tenho metas traçadas e estarei em busca delas. Eu mesmo estarei sob pressão a cada vez que olhar para o relógio e visualizar o feedback.

     "Está tudo no previsto? Posso forçar mais um pouco? Devo segurar até o final? Me contento com minha meta ou busco uma meta ainda melhor? Não vai dar, forço mais? Estou fora do planejamento, preciso fazer mais força."

     Uma mente confusa pode te boicotar facilmente. Pois bem, a única coisa que não se deve esquecer neste momento é: "A mente controla o corpo". Pés no chão, tranquilidade. Uma prova longa requer planejamento e constância. Não se deve forçar demais pra não "quebrar", nem se poupar se você tem uma meta a cumprir. 

     Faça desta semana a rotina. Não há mais tempo para "inventar" treinos. Siga a sua planilha, TROTE se lá estiver escrito TROTE. Os resultados vêm após os descansos. Descanse a mente e o corpo. Coma normalmente. Não se arrisque, não saia na chuva. Domingo será apenas a cereja do bolo de todo o seu treinamento. Faça parte dessa história. Um ironman sempre lhe dá boas histórias, únicas. Torne o momento da sua chegada, inesquecível.


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Qual o principal incentivador do esporte?

     A pouco mais de 4 meses morando fora de Fortaleza, obtive experiências significativas no que diz respeito ao esporte. Eventos esportivos, é isso que motiva os treinos. Ninguém treina sem um objetivo. "Tô sem nada pra fazer, vou correr", se houver pessoas que se identifiquem a essa oração, são exceções.
   
     O treino é motivado por um objetivo, cujo este pode ser uma corrida de 10km, uma meia maratona ou, no meu caso, um "nadapedalacorre". Quem calça um tênis e vai pra rua começa devagar, correndo os 5km, em 40min por exemplo. Com o tempo começa a "tomar gosto pela coisa". Surge uma prova de 5km e ele já pensa em baixar o tempo de prova. Começa a fazer em 30min, abaixo disso e, de repente se vê sem nenhum desafio a mais.

     Ora, depois dos 5km há as provas de 10km, onde o início é normalmente acima de 1h de corrida. Com um tempo treinando, o atleta já baixa deste tempo e começa a galgar outros desafios. Notem que os treinos são sempre visando uma "prova". Não adianta treinar sem um evento determinado, e a foto de "finisher" para postar no instagram/facebook? E a medalha? E o nome na lista dos inscritos/resultados? E a concentração no dia anterior? A ansiedade, aquele frio na barriga? ISSO é o que motiva as pessoas a saírem nas ruas e treinarem todos os dias, o EVENTO.

     Dito isso, volto ao início do texto. Fortaleza está carente de provas, de eventos esportivos. As provas anualmente que chamam mais atenção do público no geral são o Circuito das Estações Adidas, Maratona de Revezamento Pão de Açúcar, Corrida Pague Menos, Circuito Caixa e, apenas UMA Meia Maratona de Fortaleza.

     Note que quem corre os 5km, quer correr 10km e, quem corre os 10km, quer correr os 21km da meia maratona. Não entro no mérito da maratona em si, 42km, pois acredito que aí sim já é um caso diferenciado. Porém os 21km já é realidade para muitos e sim, é um desafio e tanto. 21km é muito asfalto pra percorrer. Muitos passos, calorias e gotas de suor que ficam pelo caminho.

     O esporte está crescendo no mundo inteiro, não só a corrida. As pessoas já estão transformando suas vidas e vivendo esse "estilo de vida". Muito comum os corredores se reunirem e viajarem para competir. Isso ajuda na motivação de treinos do atleta. Pessoas em busca de alcançar objetivos e o melhor, unir o lazer ao esporte. Ou seja, quanto mais eventos esportivos, mais iremos treinar, mais iremos nos motivar. E isso, é o principal motivador do esporte.